sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O aventureiro Húngaro

Era uma vez um aventureiro Húngaro de beleza espantosa, charme irresistível, graça, talento de um ator consumado, cultura, conhecimento de muitas línguas, modo aristocrático. Por trás disso tudo, havia o dom para intrigá-la, para escapulir das dificuldades, para entrar e sair dos países deslocando-se suavemente. Viajava em grande estilo, com quinze baús das mais finas roupas, com dois grandes cães dinamarqueses. O ar de autoridade garantira-lhe o apelido de Barão. O Barão era visto nos hotéis mais luxuosos, em estações de águas e corridas de cavalos, em voltas ao mundo, em excursões ao Egito, viagens pelo deserto, pela África. Em toda parte ele se tornava o centro das atenções das mulheres. Como o mais versátil dos atores, passava de um papel para o outro para satisfazer o gosto de cada uma delas. Era dançarino mais elegante, o parceiro mais animado para jantar, o anfitrião mais decadentista em  tête-à-tête * ; Sabia velejar, cavalgar, dirigir. Conhecia cada cidade como se lá tivesse vivido toda a vida. Conhecia todos da sociedade. Ele era indispensável. Quando precisava de dinheiro, casava-se com uma mulher rica, espoliava-a e ia embora para outro país. Na maior parte das vezes as mulheres não se revoltavam, nem faziam queixa a polícia. As poucas semanas ou meses que desfrutavam tendo-o como marido deixavam uma sensação mais forte que o choque de perderem o dinheiro. Por um momento elas entendiam como era viver com asas fortes, voar acima das cabeças da mediocridade. Ele as levava tão alto, rodopiava tão rápido com elas em sua seqüência de encantamentos que sua partida ainda tinha algo do vôo. Parecia quase natural – nenhuma parceira poderia acompanhar seus grandes arroubos de águia.

O Aventureiro livre e incapturável, que dessa maneira pulava de um galho dourado para outro, quase caiu em uma armadilha, uma armadilha de amor humano, quando certa noite conheceu a dançarina Brasileira Anita em um teatro peruano. Os olhos alongados de Anita não se fechavam como os das outras mulheres, mas como os olhos dos tigres, pumas e leopardos, com as duas pálpebras juntando-se preguiçosamente e lentamente; e estas pareciam levemente unidas próximo do nariz, tornando-se mais estreitas, com um relance lascivo e oblíquo pendendo dos olhos, com o olhar de relance de uma mulher que não quer ver o que estão fazendo em seu corpo. Tudo isso dava a ela um ar de quem estava fazendo amor, o que inflamou o Barão tão logo a conheceu. Quando foi ao camarim para vê-la, Anita estava se vestindo em meio a uma profusão de flores; e, para deleite dos admiradores sentados à sua volta, estava pintando o sexo com batom, sem permitir que eles fizessem qualquer movimento em sua direção. Quando o Barão entrou, ela apenas ergueu a cabeça e sorriu para ele. Estava com um pé apoiado sobre uma mesinha, o requintado vestido brasileiro estava levantando e, com as mãos cheias de jóias, retomou a pintura do sexo, rindo da excitação dos homens a sua volta. O sexo dela era como uma gigantesca flor de estufa, maior do que qualquer um que o Barão já houvesse visto, e o pêlo em volta era abundante, encaracolado, negro acetinado. Eram aqueles lábios que ela pintava como se fossem uma boca, muito requintadamente, de modo que ficaram como uma camélia vermelho-sangue aberta à força, mostrando o botão interior, o cerne mais pálido e de pétalas mais delicadas da flor. O Bar/ao não conseguiu persuadi-la para ceá-la com ele. A aparição no palco era apenas o prelúdio do trabalho dela no teatro. Depois é que se seguia a performance pela qual Anita era famosa em toda a América do Sul, quando os recônditos camarotes do teatro, no escuro, com as cortinas semicerradas, enchiam-se de homens da sociedade de todo o mundo. As mulheres não eram levadas àquele espetáculo de variedades de alta classe. Ela havia se vestido de novo com o traje de saia rodada que usava no palco durante as canções brasileiras, mas não estava de xale. O Vestido não tinha alças, e os seios fartos e abundantes, comprimidos pelo corpete justíssimo, avolumavam-se para cima, oferecendo-se quase que por inteira ao olhar. Nesse traje, enquanto o resto do show continuava, ela fazia a ronda dos camarotes. Lá, mediante solicitações, ajoelhava-se diante de um homem, desabotoava as calças dele, pegava o pênis com as mãos cheias de jóias e, com um toque de bom gosto, uma destreza, uma sutileza que poucas mulheres já desenvolveram, chupava-o até satisfazê-lo. As duas mãos eram ativadas como a boca. A delícia daquilo quase privava os homens dos sentidos. A elasticidade das mãos; a variedade de ritmos; a mudança entre um aperto de mão em todo o pênis e o mais leve toque na ponta, entre a pegada firme de todas as partes e o mais leve roçar dos pêlos em volta – tudo isso por uma mulher excepcionalmente linda e voluptuosa, enquanto a atenção do público enquanto a atenção do público estava voltada para o palco. Ver o pênis entrar na sua boca magnífica, entre os dentes brilhantes, enquanto os seios arfavam, dava aos homens um prazer pelo qual pagavam generosamente. A presença dela no palco preparava-os para a aparição nos camarotes. Ela provocava-os com a boca, os olhos, os seios. E, para satisfazê-los, junto com uma música, as luzes e a cantoria, havia uma forma de entretenimento excepcionalmente picante em um camarote escuro e com cortinas semicerradas acima da platéia.
Continua…

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